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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Mesmo com crise, especialistas garantem que o serviço público continua atrativo

Conquistar uma vaga no serviço público é o desejo de muitas pessoas. Em Brasília, com a grande oferta de seleções, ingressar no funcionalismo público atrai muitos candidatos. Mesmo com a falta de perspectiva de aumento de salários neste tipo de função, especialistas afirmam que, para aqueles que buscam estabilidade e alta remuneração nos primeiros anos de atuação, o serviço público continua sendo boa opção. “Na carreira pública, a pessoa tem menos possibilidade de crescimento do que na iniciativa privada, mas começa com salário diferenciado. Num mercado de bastante instabilidade econômica e com altos níveis de desemprego, acredito que as vagas no serviço público serão bastante procuradas por conta da estabilidade”, explica a presidente do Instituto Brasileiro de Carreira (IBCAA), Carolina Linhares.

Para aqueles que desejam investir na carreira, o segundo semestre deste ano será recheado de vagas. Em 2015, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog) autorizou 12 órgãos federais a realizarem seleções para preencher 3.399 vagas. Seis deles ainda não lançaram editais. Até dezembro, os concurseiros podem esperar a abertura de seleções para a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e as agências nacionais de Petróleo (ANP), Aviação Civil (Anac) e Saúde Suplementar (ANS). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também entra na lista dos certames federais aguardados: a realização do concurso para preenchimento de 600 vagas foi autorizada no mês passado, e o prazo para abrir a seleção vai até janeiro de 2016.

Porém, antes de se candidatar a uma seleção visando somente os benefícios, a Carolina Linhares recomenda analisar se o perfil da carreira pública está de acordo com as demais ambições do candidato. “Existem profissionais que não se encaixam num sistema pesado de hierarquia, por exemplo. Ou que não conseguirão lidar com a longa permanência em um mesmo cargo. Alcançar uma vaga em um concurso é um processo desgastante, e a pessoa precisa avaliar se as vantagens do serviço público em relação à iniciativa privada são compensatórias”, alerta.

Aposentadorias
As escassez de concursos no primeiro semestre e a aposentadoria de servidores também devem aumentar a procura por uma vaga nas oportunidades que serão lançadas no fim do ano. “Tivemos poucos concursos neste ano por conta da demora na aprovação do orçamento. A massa de seleções esperadas para este semestre é muito grande. Os índices de aposentadoria nos órgãos federais varia entre 40% e 50%, e há instituições que já não têm funcionários suficientes para o trabalho”, explica a diretora executiva da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Maria Thereza Sombra.

Os concursos com editais previstos até o fim do ano somam mais de 2 mil vagas entre seleções para cargos de níveis médio e superior. Bacharéis em direito são os que podem concorrer a mais oportunidades abertas: a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Advocacia-Geral da União (AGU) oferecem salários de R$ 17.330,33 para advogados e procuradores e, juntas, 234 vagas. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) também realizará, em novembro, as provas para preencher 27 vagas de promotores de Justiça substitutos, com salário de R$ 27.500,17.

Palavra de especialista

Por trás da estabilidade
A carreira pública tem a vantagem de que a sociedade sempre necessitará dos serviços prestados. Essa função sempre será necessária e, a primeira questão dos governos, em geral, é fazer com que a máquina pública funcione. Para isso, os servidores precisam ser qualificados e bem remunerados. Um dos principais problemas na administração pública é a visão defasada de que, por causa da estabilidade, o funcionário terá vida fácil e poderá ser falho no serviço. A estabilidade é dada porque o funcionário precisará fazer atividades que são de interesse público e podem contrariar superiores nomeados em cargos de confiança. Atualmente, muitos órgãos que prestam serviços diretos à população estão trabalhando no limite de funcionários, então os concursos são extremamente necessários para possibilitar um trabalho de qualidade.

Jorge Pinho, professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília e especialista em administração pública